Por Cátia Oliveira
Durante o período chuvoso, é comum observar o aumento da presença de cágados em vias urbanas e nas proximidades de áreas residenciais. A Prefeitura do Paulista ressalta que, ao avistar esses animais, a população deve entrar em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA) para realizar o resgate adequado e, quando necessário, encaminhar o animal ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS Tangará), responsável pelo acolhimento e reabilitação da fauna silvestre. O serviço é realizado pelo Núcleo de Sustentabilidade Urbana da SEMMA, por meio do WhatsApp (81) 99836-9947. A Guarda Civil Municipal também pode ser acionada pelo número 153.
Os cágados são répteis semiaquáticos de água doce que vivem em rios, riachos, áreas alagadas e canais, apresentando elevada capacidade de adaptação, inclusive em regiões urbanizadas. Conforme explica a bióloga do Núcleo de Sustentabilidade Urbana, Rayza Brasileiro, eles pertencem ao grupo dos quelônios, o mesmo das tartarugas marinhas e jabutis. Segundo ela, durante os períodos de chuvas intensas, ocorre a elevação do nível da água e o transbordamento de canais, córregos e áreas alagadas, fatores que acabam deslocando os cágados de seus habitats naturais.
“Com o aumento do volume hídrico e da intensidade da correnteza, muitos indivíduos são deslocados de seus ambientes habituais e acabam alcançando calçadas, quintais e vias urbanas, o que eleva significativamente o risco de atropelamentos e demais eventos traumáticos, podendo resultar em lesões ou mortalidade desses animais. Essa situação é relativamente comum em períodos chuvosos, especialmente em cidades com elevada densidade de canais e áreas suscetíveis a alagamentos”, explicou.
Jabutis, cágados e tartarugas marinhas
A bióloga destaca também a importância de diferenciar, jabutis, cágados e tartarugas marinhas para uma melhor preservação desses animais em meios urbanos. Ela ressalta que as espécies possuem adaptações morfológicas e habitats distintos.
“Os jabutis são animais estritamente terrestres e habitam áreas abertas, como caatinga e cerrado, além de florestas tropicais, como a Amazônia e a Mata Atlântica. Já os cágados são semiaquáticos, vivem em ambientes de água doce e costumam permanecer escondidos e abrigados na água. Necessitam de exposição ao sol para a regulação da temperatura corporal, realizando a termorregulação em ambientes aquáticos ou terrestres, como troncos e pedras”, pontua.
Conforme Rayza, as tartarugas marinhas, por sua vez, são totalmente adaptadas ao ambiente oceânico, apresentando características relacionadas à vida no mar. Ao confundir os quelônios, a população pode comprometer a sobrevivência desses animais ao colocá-los em ambientes inadequados.
“Esses animais são frequentemente confundidos pela população, apesar de ocuparem habitats diferentes. Esse equívoco pode gerar impactos negativos. A introdução de cágados ou jabutis em ambientes marinhos, por exemplo, é extremamente prejudicial, pois esses animais não são adaptados à salinidade da água do mar, o que pode causar desequilíbrios fisiológicos severos, estresse e, em muitos casos, levar à morte”, alertou.
A Prefeitura do Paulista reforça que, ao encontrar um animal silvestre ferido ou em situação de risco, a população deve entrar em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente para que seja realizado o resgate adequado.
Vale ressaltar que manter animais silvestres em cativeiro sem autorização é crime ambiental. De acordo com a Lei nº 9.605/1998, é proibido capturar, reter, transportar ou manter animais silvestres sem a devida autorização dos órgãos ambientais competentes, configurando crime ambiental.
Ao encontrar cágados, a orientação é não levá-los para casa ou tentar criá-los como animais domésticos, mas sim acionar os órgãos responsáveis para garantir a segurança do animal e seu retorno ao habitat natural.
Fotos: Flávio Alves
Cágado adulto na caixa: Cortesia SEMMA


