Em meio à movimentação da Praça Agamenon Magalhães, no Centro de Paulista, um coração de metal formado por engrenagens tem chamado a atenção de moradores e visitantes que circulam pela região. A obra, assinada por Alexandre Almeida, reúne referências inspiradas na história, na força do trabalho e na identidade do município. A escultura também representa o desejo do artista plástico de deixar um legado cultural na cidade onde construiu sua trajetória e desenvolveu seu olhar artístico.
A peça instalada na praça foi desenvolvida a partir da técnica da ensamblagem, também conhecida como samblagem, estilo artístico baseado na união de diferentes materiais para a criação de novas estruturas. Nas mãos de Almeida, o metal ganha novas formas e se transforma na principal matéria-prima de suas criações.
Em entrevista à equipe de imprensa da Prefeitura, Almeida comentou que a ideia do coração surgiu do desejo de desenvolver uma homenagem que fugisse do convencional. Em vez de apostar em frases prontas ou estruturas comuns, ele optou por um trabalho carregado de referências ligadas ao município. “Eu poderia ter feito um ‘Eu amo Paulista’, como existe em muitas cidades, mas quis fugir do tradicional. Quem observa com atenção consegue encontrar na peça ruas importantes, símbolos da cidade e várias engrenagens representando trabalho, força e movimento”, explicou.
A escultura também marca a realização de um sonho antigo de Almeida. Segundo ele, há algum tempo buscava deixar uma contribuição artística para Paulista e encontrou, na revitalização da Praça Agamenon Magalhães, a oportunidade de concretizar o projeto. “Não quero viver apenas de passagem por esta vida. Quero deixar uma marca que permaneça mesmo quando eu já não estiver aqui”, afirmou.
Da agricultura para o universo das artes
Reconhecido por esculturas monumentais e intervenções urbanas dentro e fora do Brasil, Almeida revelou que nunca imaginou seguir carreira artística. Com formação inicial na agricultura, atuou por anos no trabalho rural. “Se alguém falasse comigo sobre arte contemporânea naquela época, eu provavelmente acharia que era nome de algum produto agrícola”, brincou.
De acordo com ele, a mudança aconteceu após a morte do pai, momento que considera decisivo para enxergar a arte como propósito de vida. Depois disso, passou a se dedicar ao estudo de técnicas, materiais e referências artísticas. “Eu não virei artista só pelo talento. Eu fui estudar, entender técnica, material e composição. Até hoje estudo todos os dias”, contou.
Obras espalhadas pelo estado e reconhecimento internacional
Entre as obras mais conhecidas de Almeida está o “Coração do Frevo”, exposto no Paço do Frevo, no Bairro do Recife. De acordo com ele, a peça está entre as mais visitadas de Pernambuco e tem previsão de integrar o Livro dos Recordes. O artista também destaca ser o único com uma obra instalada no Alto da Sé, em Olinda, além de participar de projetos voltados à sustentabilidade e ao conceito de Cidade Limpa, reconhecidos internacionalmente com apoio da Organização das Nações Unidas.
Mesmo com trabalhos realizados fora do estado e até no exterior, Almeida ressalta a importância de ampliar a valorização da arte em Paulista, onde iniciou sua trajetória artística. Ele também reforçou a necessidade de mais iniciativas voltadas ao fortalecimento da produção cultural e à ampliação da visibilidade dos fazedores de cultura e artistas locais. “Paulista tem muitos talentos e precisamos divulgá-los mais, mostrando que também somos referência em cultura e arte”, declarou.
Ele avalia que o cenário cultural vem passando por transformações nos últimos anos e adianta que pretende desenvolver novas esculturas na cidade. “Essa escultura foi viabilizada após diálogo com a gestão municipal. Tive a oportunidade de apresentar a proposta diretamente ao prefeito Ramos. Espero que esse movimento de incentivo continue e que eu possa seguir contribuindo para transformar o município por meio da arte”, disse.
Ateliê de Alexandre Almeida em Paulista
O ateliê do artista funciona em um antigo galpão onde ele criava ovelhas antes de se dedicar à arte. Com o tempo, o espaço foi sendo transformado e hoje reúne esculturas, peças metálicas e obras monumentais. Segundo ele, o local é considerado o terceiro melhor em Pernambuco para visitação artística.
Além de produzir obras, Almeida também sonha em transformar o espaço em um centro cultural voltado para jovens artistas. “Penso que há tantos ‘Picassos’ por aí que ainda não descobriram seu potencial, e quero oferecer essa chance para que possam transformar sua vidas, assim como aconteceu comigo”, concluiu.
Quando questionado sobre o incentivo e o fortalecimento da arte em Paulista, ele afirmou a importância de que gestores públicos reconheçam o impacto da cultura na vida das pessoas. “Paulista já está mudando, né? Essa escultura já havia sido proposta em gestões anteriores, mas não teve andamento. Agora, sinto que há mais abertura para apresentar novos projetos. Hoje, já tenho quatro obras significativas no município e não quero parar por aí”, ressaltou.
O ateliê está localizado na Rua Chiador, nº 2, no bairro da Guabiraba, no Recife, e segue aberto para visitação. Os interessados em conhecer o espaço devem entrar em contato com antecedência pelo perfil @alexandrealmeida.arte, no Instagram.
A história de Alexandre Almeida se consolida como referência para inúmeras pessoas que, diariamente, lutam para transformar seus sonhos em realidade. A gestão municipal reforça o compromisso com o incentivo às artes, ao lazer e à cultura, reconhecendo a importância desses espaços na formação social e no fortalecimento da identidade cultural do município.
Fotos: Fabiano Alves e Juan Marvin








