No domingo (15) aconteceu no litoral de Paulista, na praia de Enseadinha, bairro do Janga, o nascimento de mais 165 tartarugas marinhas da espécie tartaruga-de-pente, cuja ocorrência é mais comum na região. A eclosão do ninho, que ocorreu após 53 dias de incubação, marca a temporada reprodutiva 2025-2026, monitorada pelo Núcleo de Sustentabilidade Urbana (NSU), da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura do Paulista.
Atualmente, o monitoramento registra 36 ninhos ao longo do litoral do município, todos com delimitação de área, além de identificação. Em Enseadinha, considerada berçário natural da espécie, estão localizados 28 deles, em Maria Farinha encontram-se oito, sendo seis deles na região do Pontal.
No último sábado, a prefeitura registrou o nascimento de aproximadamente 115 filhotes após 53 dias de incubação. Na ocasião, foi realizada uma atividade de sensibilização ambiental: a Caminhada de Filhotes ao Mar, também na Enseadinha, na altura da Rua Belém de São Francisco, quando o trajeto das tartarugas pôde ser acompanhado por crianças, moradores do local, banhistas, além de demais participantes que receberam orientações dos profissionais de SEMMA sobre a preservação da espécie que passa por risco de extinção.
De acordo com a bióloga Rayza Brasileiro, diretora do NSU, quando o ninho completa cerca de 45 dias, a equipe passa a realizar monitoramento diário da área. No local, após a eclosão dos ovos, os filhotes levam até três dias para emergir da areia e seguir em direção ao mar. Conforme a bióloga, o trabalho realizado pelo Núcleo segue protocolos de conservação desenvolvidos em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas e da Biodiversidade Marinha do Leste (TAMAR/ICMBio), garantindo que as tartarugas possam completar seu ciclo natural com segurança.
“O monitoramento de ninhos de tartarugas marinhas em praias urbanas é uma ação essencial para garantir a sobrevivência dessas espécies, que enfrentam diversos desafios nesses ambientes. Diferente de praias mais isoladas, as áreas urbanizadas apresentam intensa circulação de pessoas, iluminação artificial, trânsito de veículos na areia, presença de animais domésticos e maior quantidade de resíduos sólidos. Todos esses fatores podem comprometer tanto os ninhos quanto o nascimento dos filhotes. Nesse contexto, o monitoramento permite identificar, registrar e proteger os ninhos desde o momento da desova até a eclosão dos ovos”, concluiu.
A SEMMA reforça que, ao avistar uma tartaruga desovando ou filhotes se deslocando para o mar, é fundamental manter distância e evitar o uso de luzes artificiais, que podem desorientar os animais. Em casos assim, a orientação é acionar o NSU no WhatsApp (81) 99836-9947 ou informar à Guarda Civil Municipal, através do número 153.
Fotos: Flávio Alves



