Em Paulista, formação gratuita de profissionais do partejar resgata saberes ancestrais das parteiras tradicionais

Por Antônio Assis

Uma iniciativa que une tradição, cultura e cuidado. Começou nesta segunda-feira (2), em Paulista, a formação gratuita “As Àyabás e a Maternidade”, que tem como objetivo capacitar mulheres para a prática do partejar, além de resgatar os saberes das parteiras tradicionais e da cultura Yorubá, com foco nas orixás da fertilidade, Yemanjá e Oxum.

A capacitação acontece nos terreiros Ilê Asé Iyá Mi Akunlè Akoloiyá, do Babalorixá Assis Oluaféfé, e Ilè Àsé Ògún Toperinã, no bairro de Nossa Senhora da Conceição. Serão 20 encontros, divididos em sete módulos, com aulas teóricas, práticas e uma carga horária de 150 horas, ao longo de dois meses. 

O projeto tem incentivo da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do Governo de Pernambuco, além do apoio do Ponto de Cultura Anarriê e da Associação Amigos de Nossa Senhora da Conceição.

Mais do que uma capacitação, a iniciativa busca fortalecer a saúde feminina e materna, promovendo o parto humanizado e criando uma rede de apoio entre parteiras, doulas e gestantes. O projeto também reforça a importância da valorização dos direitos das mulheres e do resgate de práticas ancestrais, que atravessam gerações e reafirmam o cuidado com o nascimento.

De acordo com o superintendente de Direitos Humanos de Paulista, Kléber Pyrrho, a formação tem um papel estratégico na promoção dos direitos das mulheres e no reconhecimento da cultura popular.

“Fortalecer as parteiras tradicionais é, antes de tudo, reconhecer o saber ancestral que salva vidas e promove dignidade. Esse é um passo importante para que a cidade de Paulista avance na garantia dos direitos humanos, sobretudo das mulheres”, destacou Kléber.

A secretária executiva da Mulher de Paulista, Fabrina Juliana, também ressaltou a importância do projeto para a autonomia feminina. “Estamos muito felizes em apoiar uma formação que dialoga diretamente com a saúde das mulheres, com o direito de escolherem como querem o seu parto, e que valoriza nossa ancestralidade. Esse é um movimento de resistência, de cuidado e de empoderamento feminino”, afirmou Fabrina.

“O projeto reconhece o papel central das mulheres na promoção do cuidado, da saúde e do nascimento, dialogando com os saberes afro-brasileiros e reafirmando a importância da espiritualidade, da tradição oral e da ancestralidade no exercício do partejar”, diz a produtora executiva do projeto, Nathalia Bringel.

Fotos: Eduarda Santana/Pavoa

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