Por Geraldo Moreira
A Prefeitura do Paulista, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Agropecuária e Pesca, reuniu, nesta terça-feira (21), representantes do poder público, agricultores familiares, pescadores, marisqueiras, cooperativas, associações rurais e entidades parceiras para discutir estratégias de fortalecimento da produção local e ampliar a participação desses trabalhadores nas compras públicas do município.
O encontro contou com a participação de representantes das secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente, Educação, por meio da gestão do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Assistência Social e Combate à Fome, além do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), organizações não governamentais, sindicatos de trabalhadores rurais, redes agroecológicas, feirantes e colônias de pescadores e marisqueiras.
Entre os principais pontos debatidos esteve a necessidade de formalização das associações e dos grupos produtivos, condição fundamental para viabilizar a comercialização dos produtos diretamente com a administração municipal, ampliar o acesso a políticas públicas e fortalecer a economia local.
O secretário de Desenvolvimento Econômico, Trabalho, Agropecuária e Pesca, Raimundo Lopes, destacou que o município já possui demanda por produtos da agricultura familiar e da pesca, mas precisa avançar na organização e na formalização dos produtores para efetivar as aquisições.
“Paulista já tem essa demanda de compras. O que está faltando é a formalização. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico vai estar lado a lado com esses produtores para ajudar nesse processo, porque não faz sentido o município procurar produtos em outras cidades quando temos aqui toda uma cadeia produtiva da agricultura e da pesca”, afirmou.
Segundo o secretário, a iniciativa também poderá facilitar a busca por recursos e investimentos junto aos governos estadual e federal. Ele ressaltou que a aquisição direta da produção local poderá beneficiar diferentes áreas da administração pública, especialmente Educação, Saúde e Desenvolvimento Social.
“Quem sai ganhando diretamente é a população de Paulista. Se essas associações já estivessem formalizadas, o município poderia estar comprando seus produtos. O prefeito tem interesse em realizar essas aquisições, mas precisamos avançar na formalização para que isso aconteça”, explicou Raimundo Lopes.
Feiras agroecológicas e valorização da produção local
Outra proposta discutida durante a reunião foi a criação de feiras agroecológicas itinerantes, com a circulação de produtores por diferentes localidades do município. A iniciativa busca aproximar agricultores e consumidores, incentivar a comercialização de alimentos orgânicos e ampliar o acesso da população a produtos cultivados de forma sustentável.
A proposta também pretende criar novas oportunidades de geração de renda para os agricultores familiares, estimulando o consumo de alimentos produzidos no próprio território e fortalecendo a relação entre produtores e consumidores.
Marisqueiras buscam melhores condições de trabalho
A reunião também abriu espaço para as demandas dos trabalhadores da pesca artesanal. Representando as marisqueiras do município, Lidiana Emanuel Vieira da Silva, da Colônia de Pescadores Z-2, do bairro de Pau Amarelo, destacou a importância da parceria com a Prefeitura para melhorar as condições de trabalho e ampliar a visibilidade da categoria.
“Estou saindo dessa reunião com mais esperança de que a gente consiga montar uma associação e ter melhores condições para o pescador. Queremos nos organizar melhor, ter mais visibilidade em Paulista e conseguir vender nosso produto durante o ano todo, respeitando o período de defeso”, declarou.
Agroecologia e participação comunitária
Jair da Silva Costa, morador de Maranguape II, integrante da comunidade quilombola Vale da Paz e idealizador do Quilombo Semear, espaço dedicado à agroecologia e à cultura popular, avaliou positivamente a retomada da articulação entre os produtores e o poder público.
“Saio desta reunião muito esperançoso. Desde 2021, já existia uma articulação com os agricultores do município, da qual participei, e que resultou até em uma lei municipal. Depois, esse processo ficou estagnado. Agora, com a retomada das discussões, saio daqui confiante e acreditando que vai dar certo”, afirmou.
Jackson Reis, técnico responsável pela assessoria ao Centro de Educação e Formação em Medicina Popular (CEFOMP), ressaltou a importância da assistência técnica para melhorar a produção agrícola, pesqueira e artesanal no município.
“Estamos buscando, junto à Prefeitura, ao IPA e às associações rurais, encaminhamentos para garantir assistência técnica nas áreas rurais e pesqueiras, com o objetivo de melhorar os resultados da produção. Precisamos acompanhar as associações e oferecer suporte aos agricultores, às marisqueiras e a quem trabalha com artesanato, para que essa produção seja sustentável e gere resultados no dia a dia”, explicou.
Segurança alimentar e acesso a alimentos saudáveis
A coordenadora de Segurança Alimentar e Nutricional do município, Roberta Pires, ressaltou a importância da articulação entre as secretarias, os produtores e as entidades da sociedade civil para fortalecer a agricultura urbana e periurbana e ampliar o acesso da população a alimentos saudáveis.
“É importante que os produtores estejam formalizados para que as propostas discutidas avancem. Queremos fortalecer a agricultura, valorizar as feiras e garantir que alimentos produzidos sem agrotóxicos cheguem à população, especialmente às pessoas em situação de maior vulnerabilidade”, afirmou.
Roberta também enfatizou que a reunião representa o início de um processo contínuo de diálogo e construção de estratégias para fortalecer a produção local e a segurança alimentar no município.
A Prefeitura do Paulista pretende dar continuidade às articulações com as associações, os produtores e as instituições participantes, buscando encaminhamentos que contribuam para a formalização dos grupos produtivos, a ampliação dos canais de comercialização e o fortalecimento da agricultura familiar e da pesca artesanal. A iniciativa visa aproximar a produção local das necessidades de abastecimento do município, promovendo geração de renda, sustentabilidade e acesso a alimentos de qualidade.
Fotos: João Gonçalves / SEI










