Por Maiara Cavalcanti
O Polo Saravá Paulista reuniu cultura, religiosidade, ancestralidade e manifestações populares nesta sexta-feira (4), no Forte de Pau Amarelo, dentro da programação comemorativa pelos 91 anos de emancipação política do município. O evento contou com momentos de celebração aos orixás, homenagens a fazedores de cultura e atividades culturais e sociais ligadas às matrizes africanas e à Jurema, tradição religiosa de matriz indígena que reúne elementos de espiritualidade, tradição e cultura popular, além de apresentações culturais e feira de artesanato.
A programação teve início com um Xirê, momento de celebração aos orixás. De acordo com a cerimonialista Rebeka Pereira, o ritual percorreu o Xirê completo, de Exu a Oxalá, antes do início da cerimônia de homenagens.
O momento de homenagens foi conduzido pelo Dr. Cléston Francisco de Xangô e contemplou representantes com atuação cultural e social ligada às matrizes africanas e à Jurema. Entre os homenageados estavam babalorixás, mães e pais de santo.
Um dos homenageados foi o babalorixá Alexandre Alves, dirigente do Ylê Asé Keobambo Niwa Omim, casa responsável pela realização do evento em parceria com a Prefeitura do Paulista. Para ele, a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer a cultura e a presença da ancestralidade no município.
“É rico em cultura, é rico em arte. Então, que vire raiz e que seja bem representado o povo de matriz africana nesses eventos dentro da cidade de Paulista”, destacou Alexandre.
Também homenageado, o babalorixá Hypolito Patrício, conhecido como Hypolito de Ogum, responsável pelo Ilê Axé Omo Ogundê e pelo Ilê Obá Oxê, ressaltou o significado do reconhecimento ao trabalho desenvolvido junto à comunidade. Morador de Paulista há 51 anos, ele destacou que a homenagem em vida fortalece a atuação e a união com a comunidade.
“Existe a questão do apagamento e a gente, levantando a bandeira e sendo homenageado, luta para que isso não aconteça.”
A programação também contou com manifestações da cultura popular. Vocalista do grupo Flor que se Cheira, Jéssica Cavalcante destacou a importância de participar das comemorações como mulher negra e periférica.
“Foi uma grande honra para mim, enquanto mulher negra, periférica, fazer esse trabalho, comemorar a cidade de Paulista, que é importante demais para a gente que faz a cultura dentro de Paulista”, afirmou.
O grupo Coco Chinelo de Pau também integrou a programação do Polo Saravá Paulista. Para o vocalista e organizador, Rafael Thiago, participar das comemorações dos 91 anos do município foi motivo de satisfação, especialmente por levar ao público de Paulista um trabalho desenvolvido há uma década.
“É uma satisfação imensa a gente sair de Recife e vir fazer essa festa aqui e homenagear a cidade de Paulista. São 91 anos da cidade”, destacou.
Além das apresentações, o público também contou com uma feira de artesanato próxima ao palco, ampliando o espaço de valorização e circulação da produção cultural. Como parte das ações de cidadania e cuidado com o público, a Secretaria de Saúde também esteve presente, com distribuição de preservativos e uma ambulância disponível para suporte e atendimento, caso necessário.
Fotos: Chico Peixoto / SEI











