Por Cátia Oliveira
A garotada das escolas municipais João Pereira de Oliveira Filho, de Pau Amarelo, e Professora Margarida Sampaio, de Nossa Senhora da Conceição, nesta sexta-feira (24), participou de uma manhã especial, com exposição científica, oficina de horta com mudas de hortaliças, pinturas de solo, feirinha solidária de produtos orgânicos e artesanais, além de artigos fitoterápicos e ecológicos. As atividades, realizadas no hall do Centro Administrativo de Paulista, em Maranguape I, fizeram parte de uma ação de Educação Ambiental promovida pela Prefeitura do Paulista, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMMA).
A iniciativa, coordenada pelo Núcleo de Sustentabilidade Urbana (NSU) da SEMMA e aberta ao público, teve como objetivo celebrar o Dia Nacional da Conservação do Solo (comemorado em 15 de abril) e o Dia da Terra, festejado no dia 22 de abril. A ação contou, também, com apresentação do grupo de indígenas Flishimayá da tribo Fulni-ô, do município de Águas Belas, promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Políticas sobre Drogas, Direitos Humanos e Juventude, em alusão ao Dia Nacional dos Povos Indígenas.
De acordo com Rízia Tenório, vice-gestora da escola João Pereira de Oliveira Filho, a atividade foi uma oportunidade de compartilhar importantes conhecimentos sobre diferentes tipos de solo da nossa região e a importância desse recurso.
“É o primeiro momento fora da sala de aula proporcionado junto com a prefeitura. E os estudantes estão encantados com a diversidade de conhecimentos apresentados a partir do manuseio de diferentes tipos de solo que ocorrem no nosso município, das explicações sobre rochas e da oportunidade de plantar hortaliças, levar mudas dessas plantas para casa, além de conhecerem um pouco mais de perto a cultura do povo Fulni-ô”, afirmou.
Para a estudante de 10 anos, Laura Maria Pimentel Viana, a atividade foi importante para ampliar conhecimentos. “Minha bisavó era indígena e estou gostando bastante da apresentação do povo Fulni-ô, que ainda não tinha visto. Teve também uma exposição de diferentes rochas em um painel do jogo Minecraft que gostei muito. A esposa do meu tio coleciona pedras diferentes durante as viagens que faz e achei muito interessante terem feito essa demonstração aqui”, explicou.
Produtos agroecológicos
Na ocasião, a agricultora Elizabete Belmira, de 58 anos, que atua na região da mata do Ronca, em Mirueira, destacou a importância da divulgação de produtos sem agrotóxicos, cultivados pelos agricultores locais.
“A gente trabalha com produtos orgânicos e não usamos agrotóxico porque é perigoso e prejudica a saúde. Utilizamos técnicas naturais e misturas caseiras para espantar lagarta e outros bichinhos. Temos uma produção que conta com macaxeira, quiabo, alface, couve, coentro, salsinha e frutas como acerola, mamão, banana. Vendemos tudo nas feirinhas de orgânicos, daqui de Maranguape I e Paratibe. E estar aqui, divulgando nosso trabalho, é muito importante para mostrar formas de alimentação mais saudáveis e produzidas por pequenos agricultores”, explicou.
De acordo com a analista ambiental do NSU, Ana Laura Loureiro, a proposta do evento foi convidar tanto estudantes quanto a população de maneira geral para conhecer o solo sob uma perspectiva ecológica, reconhecendo seu papel na biodiversidade e na produção de alimentos.
“A ideia é valorizar os saberes tradicionais, especialmente aqueles construídos ao longo do tempo por agricultores e agricultoras, que mantêm uma relação direta e sustentável com a terra a partir da agroecologia. Nesse contexto, esta ação da SEMMA veio reforçar a importância da conscientização sobre práticas responsáveis de uso e preservação desse recurso essencial. E a ação também destacou a importância dos povos indígenas como guardiões de nossas florestas e da biodiversidade”, salientou.
A ação de educação ambiental integra um projeto de divulgação científica do NSU, aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa conta ainda com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, do Centro de Formação em Medicina Popular (CEFOMP), do núcleo de Educação do Campo da Escola Estadual Maria Alves Machado, do grupo Agricultoras da Mata do Ronca, das integrantes da Casa do Sabão artesanal da localidade, além de representantes da Sementeira Esperança, da Comunidade 15 de Novembro, em Arthur Lundgren I.
Fotos: Juan Marvin -SEI ( Secretaria de Imprensa)
Foto de criança com muda de planta em copo: Flávio Alves – SEI ( Secretaria de Imprensa)













