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Aula de campo em terreiro de matriz africana promove educação antirracista e respeito à diversidade em Paulista

Por Geraldo Moreira

 

Estudantes do 6º e 7º anos dos anos finais do Ensino Fundamental da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Dom Pedro Bandeira de Melo participaram, nesta sexta-feira (28), de uma aula de campo no terreiro Ylê Asé Keobambo Niwá Omim, em Pau Amarelo, Paulista. A atividade contou com o apoio da Prefeitura do Paulista, por meio da Secretaria de Turismo e Cultura, em parceria com o Centro Cultural Maria da Rua, com a direção Pai Renilson, que proporcionou aos alunos uma experiência de aprendizagem voltada à valorização das culturas afro-brasileiras, ao combate à intolerância religiosa e ao reconhecimento dos terreiros como espaços de cultura, memória e educação.

Durante a visita, os estudantes conheceram a história do terreiro, participaram de rodas de conversa e tiveram contato com saberes tradicionais relacionados às religiões de matriz africana e aos povos e comunidades tradicionais. A programação também incluiu uma palestra conduzida pelo Mestre da Jurema Santa e Sagrada Arlindo Luna, conhecido como Júlio Emílio, que compartilhou conhecimentos sobre a Jurema Sagrada, ancestralidade, espiritualidade e preservação do patrimônio cultural.

Na palestra, o Mestre da Jurema Santa e Sagrada Arlindo Luna explicou aos estudantes a importância dos terreiros como espaços de fé, acolhimento e preservação da cultura ancestral.

“Estamos aqui para trazer entendimento, compreensão e discernimento. Dentro do terreiro cultuamos Deus, em primeiro lugar, e a Mãe Natureza. Queremos fortalecer esse conhecimento e mostrar que trabalhamos com proteção, fé, caridade e cuidado com o próximo, e não com aquilo que muitos imaginam por desconhecimento”, afirmou.

Para a gestora da EREM Dom Pedro Bandeira de Melo, Soraya Maria Vieira Lima, a aula de campo é uma oportunidade de desconstruir estigmas e fortalecer o respeito às diferentes crenças.

“O objetivo de trazer os estudantes hoje é justamente quebrar esse paradigma do preconceito que ainda existe. Este momento veio para esclarecer e fazer com que eles entendam que cada pessoa tem sua religião e que o respeito deve estar acima de qualquer diferença”, destacou.

A estudante Yana Sarah Santana, de 13 anos, avaliou a atividade como um momento importante para combater preconceitos vivenciados por pessoas de religiões de matriz africana.

“Muitas pessoas na escola associam os orixás e a nossa cultura ao mal, e isso não é verdade. Eu já passei por casos de intolerância religiosa e acredito que momentos como este ajudam a quebrar esses paradigmas e a mostrar que não existe religião certa ou errada. O importante é o respeito”, disse.

O babalorixá e dirigente do Ylê Asé Keobambo Niwá Omim, Alexandre Alves de Araújo, ressaltou que receber estudantes no terreiro também é uma forma de aproximar a comunidade da realidade das religiões de matriz africana.

“A ideia é mostrar para eles, fora da sala de aula, que a nossa religião é acolhedora. Nós não cultuamos demônios, como muitas pessoas ainda pensam. Cultuamos nossos ancestrais e preservamos uma cultura que faz parte da história do Brasil. Vivemos em um país laico e o respeito precisa acontecer em todas as direções”, afirmou.

A programação também contou com a participação da educadora social e coordenadora de projetos do Instituto Mucambo, Raiane Barros, que apresentou aos estudantes o Programa Cozinha Solidária, política pública do Governo Federal desenvolvida em parceria com terreiros de matriz africana.

“Estamos levando uma política pública para dentro dos terreiros porque reconhecemos esses espaços como forças vivas do território. Hoje já temos 12 terreiros mapeados e com cozinhas habilitadas. Também mostramos que muitos alimentos presentes no nosso cotidiano, como a feijoada, têm origem nas tradições dos povos de matriz africana”, explicou.

A aula de campo integrou uma proposta de educação antirracista e valorização da diversidade cultural, aproximando os estudantes dos conhecimentos tradicionais e promovendo reflexões sobre respeito, convivência e preservação do patrimônio cultural imaterial do município do Paulista.

Fotos Juan Marvin: SEI

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