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Prefeitura do Paulista apresenta proposta de reajuste a médicos e aguarda deliberação do sindicato

Por Wagner Santos e Renata Luna

A Prefeitura do Paulista recebeu, na manhã desta sexta-feira (27), diretores do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) para mais uma rodada de negociação sobre a pauta salarial da categoria. A reunião foi realizada no gabinete da Secretaria de Saúde e contou com a presença da secretária Sônia Arruda e do subprocurador-geral do Município, Marco Antônio Lundgren.

O encontro ocorreu em meio ao estado de greve anunciado pelo sindicato, que prevê a possibilidade de paralisação a partir da próxima terça-feira (3). Segundo a secretária de Saúde, o momento foi de diálogo franco e apresentação da proposta oficial do município.

“Assumimos a gestão em um contexto financeiro desafiador, e agora conseguimos avançar. A Prefeitura do Paulista mantém diálogo aberto com a categoria médica e está trabalhando para garantir que a população continue sendo atendida normalmente. A prioridade da gestão é assegurar a assistência à população e construir soluções por meio do diálogo institucional”, afirmou Sônia Arruda.

A proposta apresentada pela gestão municipal prevê reajuste de 5% para os médicos efetivos que recebem até R$ 7 mil, além de 4,33% para aqueles com vencimentos acima desse valor. “Pode não ser o salário ideal, mas nesse momento é o possível para o município. A gente sabe da importância do médico. Diante disso, seguimos em negociação e estou levando essa discussão ao prefeito e ao secretário de Finanças para avaliar a viabilidade de novos avanços”, pontuou.

Posição do Sindicato

O diretor-executivo do Simepe, Rodrigo Rosas Lopes, afirmou que a proposta será levada para deliberação da categoria. “Recebemos a proposta e vamos levar para a assembleia na segunda-feira à noite. Vamos ver se os médicos estão de acordo ou não e, a partir disso, dar uma resposta à prefeitura”, declarou.

Ele destacou que há diferença significativa entre o percentual pleiteado e o ofertado. “Existe uma diferença muito grande entre o que os médicos anseiam e o que foi oferecido hoje. A proposta do sindicato é de 37% nos próximos três anos. Não há problema para o sindicato que seja um reajuste plurianual”, pontuou.

Já o diretor do sindicato, Robson Miranda, reforçou que a categoria utiliza como parâmetro os vencimentos pagos pelo Governo do Estado. “O que tentamos é usar o salário do Estado como balizador. A discrepância do salário do médico do município de Paulista hoje está muito grande em relação ao médico do Estado. O percentual de 37% pode ser parcelado em dois ou três anos”, explicou.

Ele também afirmou que a diretoria assumiu o compromisso de tentar conter a paralisação, mas a decisão final será da categoria. “Vamos explicitar na assembleia o que aconteceu aqui e os médicos deliberarão. Depois comunicaremos à secretária o que for decidido”, completou Miranda.

Realidade financeira e aspecto jurídico

Do ponto de vista jurídico e fiscal, o subprocurador-geral Marco Antônio Lundgren destacou que as comparações com municípios como Recife ou com o Governo do Estado não refletem a realidade financeira de Paulista. “A proposta do Sindicato toma por base realidades financeiras totalmente diferentes. Não se pode comparar com cidades que têm arrecadações três ou quatro vezes maiores. O município vive outra realidade. Não podemos trabalhar com previsão de receita futura. Previsão não é garantia. Temos que trabalhar com o que existe hoje dentro de casa”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que a Procuradoria acompanha todo o processo de negociação e que, se necessário, adotará medidas para assegurar a continuidade dos serviços essenciais. “Estamos aqui para assessorar e acompanhar toda a negociação. Caso seja preciso, adotaremos as medidas necessárias para manter o atendimento à população, que é a principal interessada nisso tudo. Não podemos interromper serviços essenciais”, concluiu.

Próximo encontro

Ao final da reunião, ficou definido que o sindicato apresentará à Secretaria de Saúde o resultado da assembleia. Na próxima quarta-feira (4), à tarde, será realizado um novo encontro com representantes do Simepe, a secretária de Saúde Sônia Arruda e o subprocurador-geral Marco Antônio Lundgren, para tratar da devolutiva dos médicos deliberada na assembleia.

A expectativa da gestão municipal é que o diálogo avance e que seja possível construir um consenso que respeite os limites orçamentários do município e garanta a continuidade do atendimento à população de Paulista.

Fotos: Flávio Alves / SEI

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